Sobre Reciclagem, Educação e Papéizinhos


No Brasil o governo não investe no que deveria investir (nisto não há nenhuma novidade) e poucos são aqueles – refiro-me não somente a indivíduos, mas a instituições, grupos e afins – que possuem o hábito de reciclar. Algumas pessoas pensam em reciclar assim como pensam em escovar os dentes: é algo natural, cotidiano, dia-a-dia. Mas a maioria dos brasileiros vê a reciclagem como algo diferente, distante, incompreendido e, muitas vezes, desnecessário, supérfluo… Tem pessoas que nunca ouviram falar nessa palavra!

 

Chocolate! O que veio em sua mente?

Reciclagem! E agora?

 

Não temos reciclagem como parte da nossa cultura. Isso é um fato! Poucas são as cidades do Brasil (sim, muito poucas!) que possuem uma boa infra-estrutura de reciclagem, que fazem coleta seletiva. Não pesquisei na internet para basear meus argumentos. Estou falando pela vivência, por viagens, por familiares. Se a reciclagem fizesse parte da nossa cultura eu teria entrado em contato com ela muitas, mas muitas vezes. Já tive a oportunidade de estar em cidades e bairros onde caminhões passam periodicamente recolhendo itens reciclados. Meu contato com o mundo da reciclagem resume-se a tais cidades, à instituição onde estudo e a algumas lojas e empresas que se preocupam com isso – ilhas em um mar de descaso e ignorância.

 

Gostaria de citar aqui um exemplo. Na cidade onde moro eu sei que existem postos de coleta, sei que existem lojas que aceitam lixo reciclável. Sei que posso separar todas as pilhas que uso e levar para uma dessas “ilhas em um mar de descaso”, mas sei de poucas pessoas que fazem isso. Não vejo nenhum vizinho meu separando lixo, ou sequer se preocupando com esse tipo de coisa. “Dá trabalho!”. Para ser justo, vejo sim, mas eles são raros.

 

Por que isso acontece? Por falta de educação! Por falta de infra-estrutura. Porque o governo não liga para isso. Porque as empresas também não ligam. Quando digo infra-estrutura eu me refiro a fácil acesso aos pontos de reciclagem. Como citei, existem cidades que fazem a coleta de porta em porta. A prefeitura dá incentivo à reciclagem. Mas e a minha e muitas outras no Brasil? Eu simplesmente tenho que separar meu lixo, pegar um ônibus lotado e levá-lo todo dia até um local específico? (Sim, nem todo mundo tem carro). Além disso, quantas são as pessoas que sabem que podem fazer isso?

 

Você, leitor afortunado, pode achar tudo isso um absurdo. “Como assim, não reciclar? Que absurdo! Como assim, nunca ter ouvido falar nisso? Isso não existe!”. Pasme, essa é a realidade. Você pode ter sido educado e estar acostumado com tudo isso, mas a maioria das pessoas não está!

 

Isso pode ser melhorado, claro, com investimento do governo. Mas devemos ficar sentados esperando? Claro que não! Não acredito em Papai Noel e sequer no Coelhinho da Páscoa. Se o governo não faz, porquê não podemos fazer? As empresas, por exemplo, poderiam começar investindo na educação de seus funcionários. Se cada empresa incorporar essa “ideia” de reciclagem em todo o ambiente de trabalho, fazendo com que os funcionários tenham amplo contato com ela, eles passarão a entender melhor como a reciclagem funciona, estarão imersos em um contexto diferente, poderão acabar apreciando/entendo/gostando e tomando-a como algo viável e natural em suas vidas.

 

Devemos ampliar nosso campo de visão para o mundo e não olharmos somente para o próprio umbigo! A maioria das pessoas age como o cavalo que só olha para a frente, ignorando tudo a sua volta. E devemos isso à falta de educação, ao egoísmo e muitas outras coisas.

 

“Por que não jogar papel no chão? Ah, só um papelzinho não faz diferença!”

 

É esse pensamento egoísta que, infelizmente, move a sociedade. Temos a tendência de ignorar as coisas simples, os detalhes. Imagine a região metropolitana do Rio de Janeiro (a segunda maior aglomeração urbana do Brasil, segundo o IBGE), que possui 11.711.233 habitantes (novamente, dados do IBGE, referentes a 2010). Agora imagine cada um desses 11.711.233 jogando 1 papelzinho de bala por hora no chão. Se eu, em cinco horas jogar um papelzinho no chão, terei jogado somente cinco unidades de papelzinho. Agora imagine toda essa gente fazendo a mesma coisa! É muito papelzinho, concorda? Faça as contas. Qual a consequência disso na minha vida e na vida das pessoas ao meu redor?

 

“Vivemos pouco, então pensemos no agora e que se dane o futuro!”

 

Tendemos também a pensar em medidas a curto prazo. Sabemos que se jogarmos comida no sofá de casa, em poucas horas o cheiro e a sujeira irá nos incomodar, mas não hesitamos em poluir os rios, os oceanos: afinal, vou morrer e não vou sofrer as consequências disso tudo! Isso pode parecer algo idiota, mas é esse o status-quo social.

 

Portanto, acredito que o primeiro passo para a “um mundo melhor”está na educação. E nisso cada um pode contribuir. O segundo passo está em aprender a dar valor aos detalhes. O terceiro é deixarmos de ser egoístas.

 

“Pfff… que diferença isso tudo faz em minha vida?”

 

Bem, primeiro dê o primeiro passo.

 

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2 comentários sobre “Sobre Reciclagem, Educação e Papéizinhos

  1. A maioria das pessoas e empresas podem não dar muito valor porque o impacto da não reciclagem é indireto. Não teremos nossos quintais cheios de lixo, o que acontece é que destinamos os resíduos e eles simplesmente “somem” da nossa frente e, como são coisas que não desejamos mais, não nos importamos com o seu destino. Enquanto isso o impacto ocorre nos lixões, aterros, leitos de rios…

    Mas na primeira enchente a população (que nesse contexto, torna-se uma massa ignorante), cobra das autoridades soluções, quando o simples hábito de destinar melhor aquilo que jogamos fora já contribui, e muito, para os problemas que vivenciamos nas grandes cidades.

    Parabéns pelo post e espero que desperte a curiosidade de mais pessoas a respeito disso.

    um voto a favor da Sustentabilidade!

  2. Você disse muito bem: ” Devemos ampliar nosso campo de visão para o mundo e não olharmos somente para o próprio umbigo! A maioria das pessoas age como o cavalo que só olha para a frente, ignorando tudo a sua volta. E devemos isso à falta de educação,”
    Afinal de contas a diferença entre o homem e o animal é que não seguimos o programa da natureza, como o instinto nos animais. Segundo Foulcault somos dotados de historicidade, que pode ser explicada por dois viéses: pela educação, focada no indivíduo, e pela história da espécie humana, cultura e política. Se não somos educados e por consequência não sabemos utilizar da “liberdade” de escolha, quanto a que caminhos trilhar, agiremos sim olhando para dentro de nós e procurando satisfazer os nossos mais baixos instintos. O bem comum, a boa vida em sociedade que dependem dos valores morais adquiridos através de uma boa educação ficam em segundo plano, e aí jogar o papelzinho é o mínimo que se transformará no que já estamos acostumados aver por aí.
    Mas não devemos desacreditar ..afinal cada um de nós pode muito..e só querer 🙂

    outro voto a favor da Sustentabilidade!

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