Crônicas de Ror: O Silêncio de Ror e O Despertar de Ror


Olá, pessoal.

Esse é o primeiro post contando a história de Ror, um dos meus personagens mais novos. Tive a ideia pra esses textos há poucos dias e escrevi as duas primeiras partes, O Silêncio de Ror e O Despertar de Ror. Gostaria de receber o feedback de vocês sobre a história e se querem que eu faça mais atualizações continuando essa história.

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O Silêncio de Ror

Ele entrou na igreja com o pé direito. Nunca antes na história da cidade de Blesian alguém ousara deixar a marca das suas botas na porta da Casa Sagrada. Assustados com o estrondo, os fiéis cessaram suas rezas e olharam diretamente para a porta. A imagem que presenciaram calou até mesmo o mais devoto dos devotos: um homem com seus dois metros de altura, prostrado à porta da igreja portando somente suas vestes e uma gigantesca espada de duas mãos. Como plano de fundo, uma Blesian coberta de neve.

Ror ergueu a espada sobre sua cabeça e abateu o primeiro fiel. Ela cortava vento, carne e sonhos e, naquele momento, cortou o silêncio daquela pequena igreja. Em poucos segundos a ordem transformou-se em caos e homens e mulheres corriam debatendo-se pelo salão principal, tentando encontrar um meio de fugir da morte. A cada grito de horror, Ror irritava-se mais e mais e, quanto mais se irritava, mais rápido desejava acabar com aquilo tudo. Brandia sua espada com fúria, tentando trazer de volta o silêncio que lhe fora roubado por aquela pequena cidade.

Ao lado oposto do salão principal, havia somente uma figura distoante de toda aquela situação: um padre em pé, parado, com um ar sereno e confiante no rosto. Ror não entendia aquilo. Isso simplesmente não fazia sentido. E, mais breve que um suspiro, sua atenção, seu foco e seu objetivo de vida viraram-se contra aquele homem. Ele devia matá-lo e nada mais importava no mundo dos homens. Apesar do frio, o suor escorria pelo seu rosto. Ele corria como se esta fosse a última corrida de sua vida, o último esforço, os últimos metros… a última morte.

A menos de um metro de distância do padre, Ror ergue sua espada sobre sua cabeça e, antes que possa desferir o golpe fatal, o padre, ainda com um leve sorriso no rosto, toca sua testa com uma das mãos. Ao contato da pele, Ror percebe-se envolto pelo silêncio que tanto almejava. Um silêncio profundo; profundo como as profundezas do oceano, como a infinitude da noite. Sentiu-se a montanha mais alta cujo topo reserva-se somente ao vislumbre das estrelas. Seu silêncio durou dias, meses, anos, séculos, milênios… Não existia frio, não existia padre, não existia Ror. E assim o tempo deixou de ser tempo e o nada transformou-se em tudo.

O Despertar de Ror

Um calor toma-lhe a face. A escuridão começa a se desfazer numa luz fraca no horizonte. Pouco a pouco seus sentidos voltam a tona. O barulho dos pássaros, o mármore frio sob seus pés, a brisa na face… cada experiência lhe é nova como a um recém nascido. O calor espalha-se pelo seu corpo, centímetro por centímetro. Por alguns minutos Ror medita consciente, degustando o prazer da respiração.

Após acostumar-se com a ideia dos segundos e minutos, Ror abre os olhos. Sentado em seu trono a memória lhe atinge como um raio. “Eu sou Rei!”, diz em voz baixa e trêmula. “Ou pelo menos era!”.

Ao olhar o salão em ruínas, lembra-se confuso do que ocorrera antes de cair no sono:  seu filho, Tor, completara dezoito primaveras e hoje seria um dia de festividades em todo o reino. Lembra-se dos casais dançando no salão principal, lembra-se dos poemas criados para a ocasião e de como os poetas recitavam as suas conquistas, repletas de hipérboles, metáforas e todos os temperos das bajulações clássicas. Lembra-se do brilho dos adornos dourados das colunas, dos desenhos no mármore negro e de toda a beleza do seu lar. Mas agora, não há sinal de festas, de ouro, de glória; não há pássaros azuis entrando e saindo pelas janelas redondas; não há músicas nem poemas. Não há flores. Tudo que vê é um salão em ruínas: metade do salão encontra-se sem teto. A maioria das colunas está destruída, os blocos de mármore negro encontram-se rachados e as estátuas de seus ancestrais encontram-se sujas e desmembradas. O mato invade o salão. Ao que parece, o tempo devorou cada centímetro do lugar e, ao se dar conta disso, Ror sente um cala-frio na espinha: o que aconteceu com as pessoas? E meu filho? E por que continuo aqui? Teria o tempo devorado também seus entes queridos?

– Tor! – grita. Em resposta, a voz grave de um rei vigoroso. Desesperado, Ror corre pelo salão em direção à saida leste.

A varanda em forma de arco exibia uma Blesian deserta e em ruínas. No horizonte o Sol se punha, deixando um degradê vermelho e laranja no céu. Sentado ali, ao ar livre, de pernas cruzadas, encontrava-se o que lhe parecia ser um monge. Ror, irritado e ao mesmo tempo feliz por encontrar alguém, contorna o homem para olhá-lo de frente. Para sua surpresa, o monge era apenas um garoto com seus treze ou quatorze anos. De olhos fechados ele parecia tão frágil, como se pudesse ser esmagado com apenas uma das mãos. Então, Ror segura-o pelo pelo pescoço e acorda-o de sua meditação.

– Quem é você? O que está fazendo aqui? O que aconteceu?

– So-rrrr-solte-me… – disse o monge entre dentes, sufocado pela mão de Ror. Ele então é largado a alguns centímetros do chão e cai torto.

– Anda, pirralho. Conte-me tudo! O que aconteceu?

Após o susto passar, o monge dá um suspiro de alívio e diz:

– Até que enfim você despertou!


Leia o Capítulo 3: Rorámiac

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Um comentário sobre “Crônicas de Ror: O Silêncio de Ror e O Despertar de Ror

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